quinta-feira, 22 de março de 2018

Como pode?


Como pode?
            Talvez, a pergunta que mais se fez de ontem pra cá, como pode um monstro fazer isso, como pode se considerar humano um ‘monstro’’ desses?
E eu vou além, como pode, eu, você fechar o vidro do carro sem ao menos questionar o que tu faz no sinal. Por que tu estás ali, tão inocente?
Como pode pensar que tua comoção de hoje pela Nayara é melhor, mais pura que a de tantos, ontem pela Marielle?
Como pode, como não percebe que talvez uma Marielle na vida dessa menina poderia ter salvado a vida dela, aliás, mais uma já que sua tia foi uma guerreira ao adotar três crianças de uma vez, mesmo com problemas em sua família?
Como pode, passar uma semana comovido e caso ela tivesse sobrevivido a esse monstro, ela poderia no futuro se tornar uma ativista pela causa e você passaria a apedrejá-la como fez toda a semana passada?
Como pode, onde tá teu cérebro que não entende que direitos humanos também lutam por educação de qualidade (isso inclui transporte), lutou por direito a seis meses de auxilio maternidade, que ainda é pouco. E que o grande capital quer a todo custo usurpar, e quando alguém luta por essa causa e tantas outras, você prefere chamar de vagabundos?
Como pode você votar no Bolsonaro que faz apologia a estupro?
Como pode alguém apontar o dedo para uma criança de dez anos e dizer que era culpado pelo desaparecimento da menina? (Essa informação tá no jornal, ele parou de ir na escola por causa disso)
A pergunta mais importante é: A turma do ‘’ninguém protesta quando morre um empresário e blá blá blá, via estar onde, hoje protestando por justiça? Convide-me, talvez eu compareça, pois eu irei aproveitar a chance de uníssono gritar com vocês, assim ecoa mais forte, e talvez juntos podemos conseguir melhorar esse mundo ingrato!
Além da comoção de vocês, vai ter luta? As ‘’Marielles’’ e as Nayaras’’ iriam gostar que suas breves existências não foram em vão!
Não é certamente com ódio ao meliante que iremos construir um mundo melhor. E sim com mais amor as nossas crianças, ao próximo em geral.